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quarta-feira, outubro 01, 2008

Ich liebe mein Trabi
















Mas que amontoado de equipamentos foleiros, penteados à teclista de banda pimba dos anos 90 e fatos-de-treino tactel vai prá'qui.
Cheira-me a centro comercial ao domingo, Europa de Leste pré-Perestroika, ou aula de educação física de uma escola primária perdida nos idos de '80. Na verdade, poderia ser qualquer uma delas, mas como se sabe, a virtude está no meio - e no Alfredo Bóia.

Com a queda do Muro de Berlim, a Europa abriu-se perante si mesma como a testa de Carlos Secretário perante um remate de Banha Torres. Mas com menos sangue, sem ligaduras na cabeça e sobretudo sem perder os sentidos.
Como consequência, a Europa Ocidental, outrora tão altiva e segura de si, viu-se invadida por uma horde de mullets, bigodinhos ralos e fatos-de-treino de tactel. Alguns países tentam ainda hoje recuperar desse ingresso de verdadeirismo, como a Alemanha, a Alemanha e também a Alemanha. Sem sucesso. Porém, quando a década de 90 era apenas um recém-nascido chato e imberbe, tudo isto era novidade.

Apostando no elemento-surpresa, um grupinho de sete moços bem-parecidos meteu-se no seu trabi, e partiu rumo a Portugal. Porquê Portugal? Porque sim.
Porque sim, e porque um deles era adepto do Paços de Ferreira e queria ver o Radi ao vivo, coisa que todo o Homem deveria fazer antes de falecer. Aliás, costuma dizer-se na ex-Europa da Leste que ter um filho, plantar uma árvore, ver jogar o Radi, e escrever um livro são os quatro objectivos a atingir antes de conhecer o ceifador (não estamos a falar do Cao). O Octávio Machado já pode ir de vela em paz.

O primeiro busílis que se lhes deparou, foi que não havia forma de enfiar sete gajos e a barba do Djoincevic num trabi. Vai daí, e sugeriram que o futuro central salgueirista rapasse a selva pilosa com um corta-relva industrial.
Má ideia.
O nosso Carlos Paião hardcore de Belgrado não gostou da sugestão e apagou-lhe a vida à catanada. Os restantes cinco enfiaram-se prontamente no trabi e lá foram todos contentes em direcção à Terra Prometida do Ocidente. Posso garantir-vos que mais ninguém se voltou a meter com o Djoincevic na viagem. Aliás, foi ele quem decidiu que K7's se enfiavam no auto-rádio e quantas vezes se ouviam cada uma. E o facto de se ter ouvido a mesma K7 do Clemente por vinte e três ocasiões consecutivas demonstra muito do respeitinho que os companheiros tinham pelo dito cujo.

Chegados a Portugal, os compinchas decidiram espalhar as boas novas da Perestroika por diferentes localidades.

Dragan queria sol, praia, e edifícios de 32 andares à beira-mar.
Ljubinko queria aprender a ler em português, e sugeriram-lhe Gil Vicente.
Pestalic só queria beber café - tinha soninho.
Barnjak foi confundido com um gajo de uma banda porreira e recrutado para tocar baixo com os "Mexilhão Cheiroso", conjunto romântico do Minho. Nas horas livres jogava à bola.
Djoincevic disse que ninguém tinha nada a ver com a sua vida, e quem perguntasse mais alguma coisa seria convidado para um duelo até à morte com a sua arma de eleição: um tubinho de totocola.
O Miodrag armou-se em esperto e interpelou-o. Djoincevic prontamente sacou da totocola algures da sua barba. Miodrag fugiu, mudou o nome para Emil Kostadinov, e trocou o seu brilhante e sedoso fato-de-treino tactel por um apartamento nas Antas. Era um fato-de-treino fixe, o fecho éclair corria bem, e aquelas pequenas marcas de tecido queimado derivadas de quedas no chão do ginásio eram menos visíveis do que noutros da mesma estirpe. E era forrada a um tecido turco, branquinho.

Boa viagem, Djoincevic. Que nunca mais te perguntem para onde vais, insigne Camões de dois olhos perfeitamente funcionais.
Vais partir, naquela estrada, onde um dia chegaste a sorrir...

P.S.: Bem Haja ao Blog do Portimonense pelos cromos gentilmente cedidos, na pessoa de Pedro Simões, homónimo do nosso companheiro bloguístico e de um médio mítico da Amadora, que rematava como se estivesse em Pearl Harbor a abater caças japoneses.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Quando Os Carecas Tinham Cabelo

Jaime Magalhães levava as fãs mais empedernidas ao delírio com este arrojado corte de cabelo. Quando Jaime passeava todo o seu esplendor pelas ruas apertadas da cidade, as mulheres tombavam aos seus pés nas geladas e escuras pedras da calçada, impotentes para controlar a súbita emoção provocada pela intensidade do charme que emanava das louras melenas soltas ao sabor da brisa marítima. Era autêntico ouro sobre azul, a trepidante cabeleira de Jaime. A luz do sol pedia licença antes de fazer reflexo nos seus filamentos dourados, a bola gozava por estar junto dele no desenfreado carrossel a meio-campo. Todo ele aprumo, todo ele elegância, Jaime desferia o golpe mortal nos frágeis corações femininos quando levantava o canto da boca e escondia um sorriso malicioso, sussurrando “c’mon, baby” como se estivesse num filme a preto-e-branco com um Martini na mão. Jaime sentia o mesmo à-vontade tanto a distribuir jogo atacante, com todos os holofotes apontados para si, como nos salões de beleza, por onde Jaime consumia a maior parte do seu tempo, aperaltando a sua figura e trocando impressões sobre a vida mundana.

Bandeirinha nunca mais foi o mesmo depois de ter visitado o Bronx numa visita de estudo do liceu, na última metade da década de setenta. Jovem ingénuo e facilmente impressionável, escancarou as portas da sua mente e assimilou a cultura local com total dedicação. Quando regressou à terra, Bandeirinha já não era o mesmo Bandeirinha que achava que Bud Spencer era o melhor actor do mundo. Começou a dar nas vistas por se fazer acompanhar de um largo rádio com leitor de cassettes da Crown para todo o lado que fosse. Depois ensaiou coreografias que quase estragaram o Ramadão de Madjer, de tão lascivas que eram. E quando ecoava Sly and The Family Stone nos corredores das Antas, sabia-se que Bandeirinha estava a chegar. Ao contagiar o balneário com ritmos funk, Bandeirinha espevitou aos ânimos e isso teve consequências. Algum tempo volvido, certos jogadores saturaram-se e houve uma clivagem ideológica no grupo, materializada pela formação de três facções: de um lado, o hedonismo de Bandeirinha; do outro, o niilismo de André. Pelo meio estava Kiki, completamente demarcado de tudo e todos, absorvido pelas complexidades do movimento reggae.

André era o cyberpunk das redondezas. Demasiado rebelde para o ambiente taciturno do seu tempo, André fazia mossa em tudo o que lhe rodeava, fosse ser vivo ou não. Parecia saído do grupo de motoqueiros do filme Mad Max e não havia Mad Max que parasse este espírito indomável na vida real. Ele era o Billy Idol da Avenida Fernão de Magalhães, o flagelo em pessoa. Partia cadeiras, amolgava portas, quebrava ossos, apertava tomates, mordia em cães, gritava em bibliotecas, ria-se a Bandeirinhas despregadas em funerais; enfim, era um genuíno enfant terrible que alagava de horror e estupefacção a bola lusa. Quem não estivesse com André, estava contra André. Quem só estivesse com André durante o fim-de-semana já estava um bocadinho contra o André. E quem só estivesse com o André nas sessões de alongamentos, de certeza que teria algo contra o André. Ninguém arriscava ter o André como inimigo. Por isso ninguém lhe dizia que o seu penteado, na melhor das hipóteses, não condizia com o seu tom de pele. O tempo e a calvície ajudaram a serenar as coisas.

Bem, e Demol? Demol nunca foi careca… o que está aqui a fazer? Quem era Demol? Demol era um central belga que marcava uns quantos penalties por ano, disparando balázios para o fundo das redes como quem folheava um jornal gratuito pela manhã. Os belgas não têm muito para dizer ao mundo, desde que monstros da táctica como Robert Waseige ou esse peixe fora de água que era Filip de Wilde nos concederam o privilégio da sua companhia. Por isso, aportuguesámos Demol segundo a cartilha vigente em 1989. Agora, Demol já tem uma recordação para mostrar aos netos, quer eles falem francês ou flamengo. Toma lá um bigode e não digas que vais daqui.

sábado, agosto 02, 2008

Cromos da Bola TV goes Old School

Neste saudado regresso da Cromos da Bola TV, juntamos uma pitada de sal à sopa das memórias. Sabe sempre bem, de tão salpicada de Vinagre que ela já está.
Uma pequena recordação do futebol elevado a arte rupestre via Renivaldo Pereira de Jesus, e o seu companheiro Carlos, herói do título sportinguista de 2000.

Anexo também um pequeno duelo entre o agora moreirense Albino Morim Maçães (percursor luso do adorno capilar conhecido por "mosquinha") e o bombardeiro a diesel, Barroso, em jeito de homenagem a Armando "Le Petit" na hora da despedida.

No final, como dessert, um momento quasi-hilariante de um cepo qualquer disfarçado de jogador da bola com o equipamento do magnânime Sivasspor.

Adeus, e até ao meu regresso.
.

quinta-feira, julho 24, 2008

Super Cromos


Quando o Tricampeão Nacional contratou o alter-ego de Bruce Banner para jogar à bola, muitos pensaram tratar-se de mais uma investida inovadora e brilhante de Jorge Nuno, sempre arguto nas suas contratações menos ortodoxas (ver Cavaleiros do Apocalipse), que acabam por redundar em activos vendidos a uma equipa estrangeira por dezenas de milhões de euros (não ver Cavaleiros do Apocalipse).


Em pouco tempo, pensámos nós, todos os clubes de renome iriam seguir as pegadas azuis por aquela estrada de resíduos radioactivos abaixo.

Mas eis que o telefone toca. É Hans Vimmo Eskilsson, directamente de um torneio de poker que acabou de perder por ser alto, loiro e tosco. Isto, apesar de já não ser loiro. Mas continua a ser alto e tosco.

Hans parece transtornado. E não é pela palavra "bluff" se adequar mais à sua carreira de futeboleiro do que à de gajo que bota a bisca na mesa. O Deus nórdico faz questão de relembrar aos media portugueses que o Incrível Hulk não é o primeiro super-herói a jogar no campeonato local( apesar de ser o primeiro mamífero a trocar a 2ª Liga Japonesa por um clube de renome com uma soma avultada de cash de permeio).

Num assomo de modéstia e altruísmo, o homem-bluff revela o nome do benfeitor: ele próprio. Thor.












Porém, numa saudável anarquia similar a um fórum da Sport Tv com a participação extemporânea de um presidente com gigantismo auricular, chega outra opinião. Sorridente, mas ligeiramente descontrolada numa fúria disfarçada:

- "Cara, cê é burro mêmo. O primeiro só pode ser eu."
















Anos a fio arrasando médios e alas direitos a torto e a direito, com um sorriso nos lábios e manha na chuteira, ninguém viu outro herói daquela maneira.
Eia, rimou.

Por falar em rimas...

"Vais partir/naquela estrada/onde um dia chegaste a sorrir". Ecoam as doces palavras cantaroladas pelo sempre cheiroso baladeiro Clemente.
Ok, afinal não rimou. Mas o importante aqui é apreciarmos a irónica subtileza desta deliciosa melodia, que subtilmente nos diz que não podemos ser felizes por duas vezes no mesmo local.

No caso do nosso Kal-El bronzeado, esse local é uma baliza. Um jogo? Pfff. Chega. Back to Zimbabwe. Or Congo. Whatever. Baza.




















Ah, a América.
América do Norte.
Não, isso não: Estados Unidos da América.

Assim está melhor, afinal queremos deixar o Canadá de fora, não nos vá dar vontade de falar de Fernando Aguiar ou do Torneio Skydome. Isso nunca.

Num País arrasado pela violência, ausência de valores morais e filmes com a Sandra Bullock, procura-se um herói. Eis que surge, por entre uma névoa que grita esperança aos quatro ventos, o salvador de uma Pátria destroçada:

Zach Thornton, o Capitão América.


















- "What now?Save the US of A? Hell, no. There are people overseas, who need my immediate help. Their suffering is unbearable."

Doze horas depois, chegou ao Benfica.

Mas esta debandada do seu herói preferido não deixou destroçado o País de Freddy "Nii Lamptey v2.0" Adu.
Nada disso. Clamavam por um paladino da liberdade ainda mais viril. Mais barbudo, Mais impiedoso. Mais versado na arte de detectar quedas de avião pelo sabor do solo com 15 anos de retroactividade.















Walker é o seu nome, e a dor é a sua profissão.
Porém, deixou prontamente o seu nativo Texas para a Madeira sob a premissa:

- "I got bigger fish to fry."

...beware, AJJ.

Terminamos com a recordação do último Super-Herói a jogar na nossa Liga, com O Coisa, Fernando Aguiar.















Aliás, como se trata deste atleta, podem riscar a palavra "jogar" da frase anterior, e substituí-la com outro verbo qualquer. Qual? Não sei, nem tenho paciência para tanto. A sério. Deixem-me em paz. Desde que o significado seja de certa forma inverso, quero lá saber. Ninguém me paga para fazer isto.


P.S.: O Homem Invisível foi omitido desta lista por não haver imagens do dito cujo. As razões são óbvias. Primeiro, ele é invisível. Segundo, ninguém se lembra de ver o Farnerud fazer nada. Há relatos de que uma vez em 1998, o sueco terá feito a cama em sua casa. Mas não estava lá ninguém para ver.

terça-feira, junho 24, 2008

SÃO JOÃO, SÃO JOÃO



Hoje é dia de Romaria, de São João! Por isso, todos em côro:
"São João Manuel Pinto
Bem bonito que ele é
Bem bonito que ele é
Com os seus caracois d'ouro
E o seu sotaque dhupinha de madha ao pé
E o seu sotaque duphpinha de madha ao pé
Não há nenhum assim
Pelo menos para mim
Com tantos caracóis só mesmo o Quim

São José Veiga já se acabou
O São Vieira está-se a acabar
S. João, S. João, S. João,
Toma um balão e vai pro Sion jogar


Bis bis..
São José Veiga já se acabou
O São Vieira está-se a acabar
S. João, S. João, S. João,
Toma um balão e vai pro Sion jogar"

segunda-feira, maio 19, 2008

O Rebento de Nosferatu

Tomás Costa, o novo reforço dos Dragões, embarca numa viagem sem retorno até ao Velho Continente para espalhar toda uma sinfonia de horrores a tons de cinzento e vermelho-sangue. As parecenças com o seu progenitor não enganam, pois a milenar fachada do terror não conhece barreiras temporais ou futebolísticas.

Tremam, incautos oponentes. Ele vem aí.

segunda-feira, maio 12, 2008

Pensamentos Soltos Época 2007-2008

Cromo da Época: Leandro Lima. Este put...miúd...jov...homem esteve na base de uma descoberta tão marcante e surpreendente quanto a teoria da relatividade: o jet-lag de dois anos. Partiu de férias com 20 anos de idade, e chegou umas semanitas depois, já com 22. Será que viajou num DeLorean? Ainda por cima é parecido com o Nel Monteiro, o que só pode ser extremamente positivo. Força aí, Nel.

Treinador da Época: José Mota. Por ter batido o record Europeu de utilização consecutiva de bonés em conferências de imprensa, com 368. O extinto record pertencia a Boris Altiparmakovski, da Macedónia. Ainda por cima, adicionou este ano o suave bonézinho branco com altivo lettering vermelho do patrocinador "DIZ" ao seu já extenso arsenal.

Jogo da Época: 11-05-2008, SLB vs VFC: sempre que o auto-denominado maior clube do mundo, com o auto-considerado (isto existe?) melhor plantel dos últimos 10 anos (curiosidade: o plantel de 1998 era ISTO) festeja com foguetório, pompa e circunstância o 4º lugar na competitiva liga portuguesa, as escalas de teor cromífluo batem no topo. Ah, e o Nuno Gomes jogou.

Momento da Época: 2008-04-06, apito final do SCP vs.SCB. Hans Pontus Farnerud completa 90 min de jogo.

Passe à Secretário da Época: 11-04-2008, SLB vs. AAC - Luisão.

Golo da Época: 13-01-2008, Meyong Zé, CFB vs Naval: o único golo da história do futebol que faz perder 6 pontos à equipa do autor do tento. Ao mesmo tempo, o camaronês torna-se no melhor goleador da Liga, ao que o rácio golos/minutos diz respeito. Um golo em cada 35 minutos de jogo...uma época de ouro para o Zé africano.

60 Segundos da Época: 2007-08-18, LSC vs SLB: a totalidade do tempo de jogo de Andrés Diaz, a estrela das Pampas da equipa de Santos/Camacho/Chalana, durante a época inteira.

Contratação da Época: Gladstone (SCP). Quando um internacional brasileiro chega a Portugal e a única razão pela qual fica na nossa memória será por nos fazer lembrar um jovem Ralph Macchio bronzeado em Karate Kid, é porque as coisas não correram bem. Mas aqueles fogosos Keri e Gueri deixam marcas.

Alcunha da Época: Nuno "Gomes", do benfiquista Nuno Ribeiro. Quando o 3º melhor marcador da História do Campeonato Português empresta o seu último nome a...esqueçam...já toda a gente percebeu.

Caceteiro da Época: Gilles Augustin Binya (SLB) - desde Jean Claude van Damme em "Bloodsport" (1988) que ninguém conseguia causar tantos traumatismos em tão pouco tempo sem um par de matracas. Os 9 amarelos em 15 jogos são uma marca digna de Tahar, o Khalej.

quinta-feira, abril 24, 2008

SUB 21 - o que mais voava




Não há muito a dizer.. as imagens e títulos de jornais mostram..
Há Folha de papel vegetal, de cavalinho, branca, de 22 linhas, azul, timbrada, da árvore, de acetato, a4, a3, a2, grosssa, fina.. e depois há a de qualidade, a FOLHA BRILHANTE. Aquela que voa nos relvados belgas, portugueses e gregos (sim, o Folha jogou no AEK!!)

Fiquem com a imagem e recordem-se (só na mente, porque nao tenho video nem nenhum link presidente do Sp. Braga para o Youtube) do centro, do passe, da magistral seta apontada à cabeça de Sá Pinto, no Euro-96, para o empate a 1-1.

quarta-feira, abril 09, 2008

Tri com a devida homenagem


Bem hajam, gente da bola. Regressámos de umas pequenas férias retempradoras ainda a tempo de aflorar o grande tema da semana: O Tri sem naranjus.

Tal como o título deste post indica, iremos homenagear o novo Tricampeão Nacional Português. E fá-lo-emos através da sua maior figura cromática: Lino.


Porquê? Seguindo a regra de ouro cromática(nome+fronha+rendimento)tomámos as nossas conclusões.

- Nome? Dorvalino Maciel.
Check.
- Fronha? Afro-negligé-manjerico-style.
Check.
- Rendimento bolístico? Basta dizer que a sua "medalha de honra" é ser o 68º jogador com mais minutos na Liga Intercalar.
Check.

A época de Dorvalino tem sido feita de al...baixos e baixos. Contudo, foi decisivo para a conquista do Tri, dada a sua inata capacidade para ser um aquecedor de bancos de alto rendimento. Jorge Fucile afirmou mesmo que ser substituído até já é um prazer, sabendo de antemão que irá sentar o seu milionário traseiro num banco quentinho e aconchegante. Dorvalino sorri e parte todo lampeiro para aquecer o banco do Furacão do Magrebe, que vem já aí a seguir. A satisfação pelo trabalho bem feito é um prazer que não se pode negar a nenhum homem...mesmo quando o homem em questão é o 55º jogador com mais golos na Liga Intercalar 2007-2008.

E no final da partida, a costumeira manifestação de adulação dos fãs expressa num cartaz:

"LINO, DÁ-ME A TUA CAMISOLA, JÁ QUE NÃO A USAS"

terça-feira, março 18, 2008

O Outro Cavaleiro do Apocalipse


















Aldea Mogrovejo.
Populación: zero.

Este lugarejo, algures nas profundezas da Espanha até por D. Quixote esquecida, assume-se como justa homenagem ao vulto do futebol mundial que lhe dá o nome.

Mas voltemos atrás. A história deste guedelhudo Cavaleiro do Apocalipse tem início em meados da década passada:

Marcelo Houseman, um seboso empresário argentino com cara de segurança de discoteca desmotivado, torna-se numa espécie de academia do Sporting ao contrário, e desata a cuspir cepos em todas as direcções. Para nossa sorte, uma dessas direcções foi a cidade invicta.

Abram alas para os cinco Cavaleiros do Apocalipse.

Chegaram Baroni, Mandla Zwane, N'Tsunda, Walter Paz e Mogrovejo, como poderiam ter chegado Dartacão, Noddy, aquele actor estranhíssimo da TVI, o cabelo do Diogo Feio e uma sameirinha de Spur Cola.
Sir Bobby abriu os braços, Jorge Nuno abriu a carteira, e os cinco estarolas fecharam o tasco.
Na sua versão bíblica, os quatro cavaleiros do apocalipse eram a conquista, o extermínio, o cannigia, a fome, e a morte. No mundo real, isto traduziu-se mais ou menos desta forma:

- conquista: Ronald Baroni (Perú - Conquistadores, etc.)
- extermínio: Walter Paz (porque foi o que fez à sua própria carreira)
- cannigia: Mogrovejo (pois)
- fome: N' Tsunda (um gajo que se orgulha de ser mais rápido que o vento tem de ser magrinho)
- morte: Zwane (estava a jogar à bisca quando Deus distribuiu os cognomes mais fixes. Ficou com a fava.)

Esta conversa dava para quatro blogs e meio, portanto foquemo-nos no homem do momento: Roberto Mogrovejo.

Terá sido o mais temido dos cinco, pois se é verdade que a morte, a fome e o extermínio podem assustar muita gente, um cannigia assusta muito mais. Pinto da Costa recebeu-o com pompa e circunstância no seu gabinete, augurando-lhe um futuro risonho de Dragão ao peito, provavelmente com medo do que ele lhe pudesse fazer. É que Mogrovejo não reage bem à falta de atenção.

Como novo Cannigia, era esperada da sua parte uma apetência para espancar peixes, inalar cal das linhas delimitadoras do relvado, beijar homens na boca frente a câmaras de TV e ter penteados ridículos.
Roberto Mogrovejo só conseguiu transformar a última situação numa realidade indelével. Dada a enorme desilusão, e também porque a influência dos Cavaleiros do Apocalipse no balneário tripeiro estava a tornar-se insuportável para cromos nacionais como Bandeirinha ou Vítor Nóvoa, o presidente azul-e-branco fez com que o nosso amigo argentino desaparecesse num ápice:

- "Mogroquem? Ah, não. Esse estava à experiência, acho eu. Mas nem sei quem é. Tem bigode?"

Verdade seja dita, o Cavaleiro do Apocalipse só voltou a pisar solo nacional dez anos depois - já sem o monumento capilar do passado - com a selecção argentina de futebol de praia.

-"Assim fico mais perto dos peixes.", disse ele, numa efémera tentativa de recuperar a fama de novo Caniggia, aos tenros 52 anos de idade. Fica para a próxima.

P.S.: A foto não é adulterada. Isto é mesmo uma aldeola que o co-blogueiro Pedro encontrou em Espanha.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Quo Vadis, Renivaldo?















Havia quem dissesse que Renivaldo Pereira de Jesus estaria a ter uma droga de final de carreira. Na mouche. Agora parece que vai ser transferido para o xadrez. E não falamos do Boavista, que esse não tem dinheiro para tanta fruta.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

King Kralj, ou o maldito Aloísio.

Se os genuínos poetas do relvado são capazes de emocionar multidões com o altivo pentear de uma bola, já aqueles que não nasceram com tal talento divino arriscam-se a alugar quarto nas caves do esquecimento. A não ser que consigam cativar as almas das referidas multidões através de repetidas demonstrações de inépcia futeboleira, activando o interruptor da chamada "comédia não-intencional".

O que seria de Bote Botende se tivesse defendido os livres de José Barroso de forma sólida, porém nunca brilhante? Seria neste momento um filho querido do Mundo imaginário de Portugal, onde figuras sui generis jogam à pelota por cima de nuvens feitas de algodão doce? Seria ele Bote Botende, o mito?
Não. Seria Bote Botende, o gajo que poda sebes no bairro "posh" do sempre solarengo burgo de Mbuji-Mayi, Congo.

A comédia não-intencional encontrou na internet um aliado à altura, imortalizando várias figuras cromáticas através de uma joint venture que se prevê imortal. Pelo menos até à concessão da rede rodoviária nacional à empresa Estradas de Portugal acabar. O que vai dar mais ou menos ao mesmo.

Pois bem, o senhor que se segue é uma prova viva de que a falta de jeito nos pode levar longe. Como tantos outros habitantes deste blog, chegou a Portugal com rótulo de craque e certificado internacional de classe insofismável. Titular no Mundial '98, seria finalmente o Caça-Fantasmas que iria acabar de vez com um dos filhos preferidos do "Cromos da Bola": O Fantasma de Vítor Baía. Qual Bill Murray ou Dan Aykroid em 1984, Ivica Kralj pôs a sua arma de feixe de protons às costas e disparou em todas as direcções. Seguramente atingira o afamado fantasma que afinal não conseguira ver. Mas tudo estaria certamente controlado, e o sérvio preparava-se para fazer juz ao nome (sim, "Kralj" significa "Rei" em sérvio) e sentar o seu traseiro real no trono da Invicta.

Mas havia um problema. Ele próprio.
Os primeiros sinais de absurda falta de aptidão chegaram na pré-época, com um perú maior que a barriga do agricultor palmelão, logo frente ao espanhol Tenerife. Nem de propósito, o remate vitorioso tinha saído da bota do Van Basten leceiro, Domingos Paciência de seu nome, e Portista de sua alma.

Lesto a assumir o erro como um homem íntegro e merecedor de sobrenome real, o guardião prontificou-se a explicar que o golo teria sido culpa do central Aloísio. Perdão? Aloísio? O mesmo Aloísio que não estava na baliza? Sim, esse mesmo. Porquê? Ora vejamos a sequência do pensamento real de Ivica Kralj: jogo de apresentação -> Porto vs Sporting -> Aloísio choca com Ivica -> magoa olho do menino -> jogo com Tenerife -> frango -> é do olho -> culpa do Aloísio.

Uma linha de pensamento simples e que deixa bem vincado o carácter forte deste íntegro Rei sérvio, general de tantas batalhas.

Porém, convicto que este faux pas não teria sido mais que um acaso tão aleatório quanto um bom jogo de Ivo Damas ou um pensamento coerente de Vale e Azevedo, o Engº do Penta voltaria a apostar em Ivica Kralj para salvaguardar o último reduto tripeiro.

Digamos que foi uma decisão tão boa quanto a de tentar convencer Petar Krpan a fazer um anúncio a um champô anti-caspa. Cedo os faux pas condimentados a açafrão passaram a fazer parte dos pratos dia do restaurante das Antas.

Leiria, há Boavista e há Dínamo de Zagreb. Mas sobre tudo, há Olympiakos fresquinho e Alverca com bechamel. Comecemos pela iguaria em solo luso: o FC Porto asfixia o seu rival ribatejano e passeia no relvado tal como Eládio Clímaco na voz off de um documentário chunga da RTP2 (e com isto, inauguramos a palavra "chunga" no blog).

0-5 é o resultado, e os alverquenses já baixaram os braços. Ninguém corre, ninguém defende, ninguém ataca. Mas...helás! Eis que surge uma investida pelo flanco esquerdo! Ah...mas o gajo corre sozinho. Vai centrar mas não está ninguém na área para finalizar. Essa é do redes. Será?
Not really. O centro parece inofensivo, direitinho às mãos seguras do guardião, que sem opositor por perto, prepara-se para agarrá-la calmamente. Os companheiros de equipa começam a subir no relvado, pensando já em mais um eficaz contra-ataque e respectivo 0-6 a favor dos azuis-e-brancos. Mas espera lá...este redes não é o que tem aquele problema no olho?
Pimba. Golo. 1-5 no marcador e risos descontrolados na bancada. Pelos vistos, Kralj terá sido incomodado pela insana pressão da linha avançada do Alverca, posicionada algures entre a meia-lua e o seu meio-campo defensivo, e socou a bola para um beijo inesperado às até então invioladas redes. Maldito Aloísio.

Chega? Nem por isso.

16 de Setembro, 1998. Liga dos Campeões da UEFA, palco maior do futebol Mundial. Um palco digno de um Rei. Ou então, próprio de um bobo da côrte. O campeão português vence por dois a zero a cinco minutos do final, fruto de uma excelente exibição e um frango finíssimo do grego Eleftheropoulos, honra lhe seja feita. Os adeptos saem do estádio esfregando as mãos por mais três pontos no saco. Magnífico. Eis que há ecos de 2-1, fruto de desconcentração da defesa lusitana, já a pensar no apito final. Sem grandes problemas, o goal average não conta para grande coisa e obviamente que já não há tempo para mais nada. Mas...mas...o que é isto??Onde é que vai o homem?!?!? Ele está doido! Pimba. Golo. 2-2.
Ah não, ESTA não é culpa do Aloísio!

Caída em desgraça, a carreira do sérvio na Invicta fechou mais celeramente que um SAP numa terra do interior. Sendo certamente dos poucos jogadores dos quais se pode dizer que foram corridos para fora do clube, o Rei Sérvio inscreveu o seu nome a letras de diarreia na História do clube Portuense.

E não só, julgando pelo seu percurso pós-FCP, caracterizado por uma furiosa espiral descendente que o levou por PSV, Partizan e FC Rostov, onde esta época ajudou a carimbar o passaporte para a II Divisão Russa.

Tudo culpa de quem? Damn you, Aloisius! Damn you...

domingo, novembro 04, 2007

Popeye from Lodz

Vítor Baía é um nome incontornável do futebol Mundial. Histórico recordista de títulos a nível internacional, este guardião marcou uma época na lusitana bola pelos seus reflexos apuradíssimos, saídas destemidas, destreza nas bolas altas ou capacidade de liderança. A todos os níveis, um símbolo.

E para além de tudo isso, deu ao Mundo Cromático uma benesse que tivemos a oportunidade de degustar como uma bavaroise de framboesa confeccionada pelo bigode do Manuel Luís Goucha em 1992: ao abandonar a Cidade Invicta em busca de glória adicional na Catalunha, Baía não se transformou apenas em portero, pois foi também porteiro - abriu as portas a um exército de sucessores, cada um pior que o anterior.

Nascia o "Fantasma de Baía". E não, não era uma aparição pública do gaiense depois de três semanas sem ir ao solário, foi a designação escolhida pelos sempre criativos e acutilantes escribas para definir a sombra gigante do agora culé, que deixava as atormentadas vidas dos seus sucessores sem ponta de sol.

Eles eram Eriksson, Wozniak e Hilário. Um monstro de três cabeças. Um "Cérbero", cuja missão era manter a inviolabilidade das redes azuis. Não é bem o mesmo que guardar o portal do Mundo dos Mortos, mas deixemos o glamour para os tecnicistas Quinzinho, Chippo e Lipcsei. Aqui a missão é desprovida de glória. Chamem-lhes mártires modernos do sofrimento contemporâneo. Peões num jogo de xadrez disputado por dois traficantes de órgãos coreanos. Tigres de papel numa selva urbana. Ou então, nas sábias palavras do saudoso Tarzan Taborda (o Gabriel Alves da porrada) : "carne para canhão".

O mais sui generis dos três era Andrzej Wozniak. Provavelmente por parecer um cruzamento entre o Popeye e um contabilista. Portador de um look muito em voga entre cepos das balizas nos anos 90 (falamos de Best e Baston), o Popeye Polaco brandia orgulhosamente um charmoso piccolo bigodinho, que fazia pendant com a sempre respeitosa careca, símbolo de confiabilidade e eficácia, qual reluzente bola de bilhar rebolando feliz pelo buraquinho adentro.

Wozniak teve também o condão de esperar pelos grandes momentos. Apesar de ser uma desilusão entre os postes, onde não revelava nenhuma qualidade discernível ao olho humano para além de fazer rir o mais sisudo dos adeptos do desporto-Rei, Mijter Oliveira manteve a confiança inicial no Popeye from Lodz, o que só pode ser visto como uma demonstração da sempre sólida solidariedade de bigodes.
Assim sendo, Andrzej foi um espectador privilegiado de duas das mais badaladas partidas da História recente do futebol Português: do seu cantinho, algures entre o poste direito e o esquerdo, o polaco presenciou as vitórias do FC Porto por 2-3 em Milão (onde ainda quase que conseguiu lixar o brilhante jogo dos colegas com dois golos sofridos), e de 0-5 na Luz (jogo mítico - não pelo Porto espetar 5 batatas no rival, mas porque Popeye from Lodz não sofreu nenhum tento).


Pouco depois destas duas brilhantes deslocações, o polaco foi afastado para abrir caminho a outro senhor. Provavelmente não terá nada a ver com as suas pomposas performances, mas sobretudo porque ver e ouvir a mesma piada muitas vezes seguidas cansa qualquer um, e era de facto necessário ir buscar um refresco. Outro tipo para nos dar alegrias cromáticas.


Para a memória fica esta respeitosa carequinha e a certeza que Popeye from Lodz iria dar 122% em cada uma das suas acções no palco maior do teatro da bola - como a foto ilustra.
Aquele ar de esforço não é normal. É que pela posição do pé, vai sair dali um passezinho de treta para um qualquer Buturovic a 40cm de distância.
Ou isso, ou o gajo está a mandar um bico numa bola medicinal e nós andamos todos a precisar de ir ao oftalmologista do Ivica Kralj.

P.S.: Futebol Clube DE Porto? Mas será que foi o próprio Popeye que escreveu no cromo?

domingo, julho 29, 2007

O Filho do Vento

















vento
,
do Lat. ventu,
  • s. m.,
corrente de ar provocada pela diferença de pressão entre várias camadas ou zonas da atmosfera e que se desloca em certa direcção;
ar agitado por qualquer meio;
Etienne N'Tsunda;
  • fig.,
sorte, influência favorável ou contrária;
flatulência;
coisa rápida;
...
Etienne N'Tsunda, o Filho do Vento, foi um mistério para muita gente, durante muitos anos. Inclusivé para Sir Bobby, que o resgatou de uma carreira votada ao anonimato na equipa de atletismo do Orlando Pirates, transformando-o num maxi-single habitual na cassete pirata dos hits de verão preferidos dos portugueses.

Habituado a jogar num clube que foi buscar o seu nome a gajos com perna de pau e pala no olho, o congolês sentiu o peso da camisola do Dragão. Não foi fácil partilhar o balneário com colossos do nível de Ronald Baroni e Walter Paz. Especialmente porque o peruano deixava constantemente a tampa da sanita levantada e o argentino tinha como banda preferida os Def Leppard.

Afectado por estes execráveis contratempos, o rendimento de Etienne sofreu. O Filho do Vento não passava afinal de uma tímida brisa. Sir Bobby viu-se confrontado com a hipótese da contratação via K7 audio enviada pelo ajudante de roupeiro do Orlando Pirates (cunhado de Etienne, advogado criminal de Zwane, e representante da Adidas no Zimbabwe) não ter sido 100% fiável.

"I don't perceebo it. Pelo sound, el jogadorr parcia good. Eu even disse ao Dmingas: primeira part...good. Segonda part...not good. Dmingas remate poste, should have been goal. Je suis très content.", afirmava Sir Bobby no seu português irrepreensível.

Na verdade, o clube não abandonou o método de utilizar a K7 audio como principal instrumento de prospecção, como atestam as posteriores contratações de Da Silva e Alejandro Diaz.
Porém, o Filho do Vento jogava como um Bastardo da Bola, chutando o esférico corpo estranho de uma forma tão inepta, que mais parecia estarmos a presenciar nova impagável incursão de Paulo Madeira a ponta-de-lança.

Eis que o clube das Antas, certo que N'Tsunda estaria ainda demasiado verde para passar de brisa a vendaval (com isto, não estamos a fazer nova incursão no precioso Mundo das piadas de flatulência - apesar da oportunidade acima oferecida pelo dicionário), decidiu cedê-lo à II Liga, por via de Penafiel e Académica, onde o africano brilhou como Manuel Subtil numa casa de banho da RTP.

Tal demonstração de força e irreverência não foi ignorada pelos primodivisionários, e o GD Chaves reabriu-lhe as portas do palco principal. Agora Etienne era um actor de sucesso, uma Floribella (sem alusão aos equipamentos alternativos do Benfica 07-08) no prime time da bola lusitana. Ao lado de Sabou, Matute e Ovidiu Cuc na frente de ataque flaviense, o Filho do Vento só poderia brilhar. E brilhou. Qual remate de Pavlin furando as redes adversárias, o fulgor do nosso herói era inigualável, e a sua velocidade destruía os laterais adversários como as três gajinhas do anúncio da netcabo destroem a paciência colectiva de um Povo.

Porém, a troca de Chaves pelo berço da Nação em 1998 revelou-se fatal para a carreira de Etienne, pois a sua convivência com David Paas seria conflituosa ao ponto de voltar a transformar a sua furacónica ventania num débil sopro de um franzino petiz. É que Paas jurava a pés juntos que Fangueiro era o jogador mais veloz do plantel vimaranense.

Com a autoestima devastada, o africano abandonou Portugal, apenas para regressar de forma inglória já no Séc. XXI para representar os secundários SC Freamunde e o outrora orgulhoso FC Famalicão, mas já era tarde. N'Tsunda era apenas uma anafada sombra de si mesmo. "Filho de Uma Lenta Deslocação de Ar"!!!, gritavam as bancadas nortenhas, apupando impiedosamente o ex-sorridente protégé de Sir Bobby.

"Ao menos se tivesse uma mega-mullet como a que o Rafal Grzelak exibirá em 2007...", murmurava o derrotado congolês parante a confirmação da inexorável marcha do tempo...

sexta-feira, junho 01, 2007

Alves Nilo "Vinha", ou "You can't teach height"



A
lves Nilo Marcos Lima Fortes
não é apenas mais um jogador com um nome incomum e estranhamente incómodo ao ouvido. Há mais por trás do homem do que cinco nomes que combinam entre eles tão harmoniosamente como um dueto entre a Céline Dion e o Adolfo Luxúria Canibal : este Senhor foi também um digno profissional de futebol.


Ora, quando nos deparamos com a anterior afirmação, é da natureza humana que nos interroguemos de pronto sobre quais serão as características do dito jogador. Será forte na marcação? Dono de uma técnica suave como um manto de seda? Intransponível como um rochedo? Drible fácil e remate pronto? Pé-canhão? Possui uma intestinal visão de jogo?

Pois no caso de Alves Nilo, a resposta é invariavelmente a mesma: "não."
Quer dizer, em boa verdade oscila entre "não" e "nem por isso, não". O "nem por isso" é normalmente utilizado para exprimir surpresa perante a aparente inutilidade do futebolista em questão, o que no caso do bom do Alves Nilo, torna-se muitíssimo útil (passe a ironia).

Então, se o homem não tem nenhuma qualidade discernível a olho nu, porque raio é que o deixaram jogar à bola com os outros? Pior que isso, porque será que lhe pagaram para isso?

"Ah, é alto e tal..."

Esta terá sido porventura a frase mais vezes proferida nas bancadas dos clubes por onde Alves Nilo passou.

É alto. Pois, até aí toda a gente chega. O indivíduo tem 1,93 m, por sinal muito mal distribuídos, o que o leva a parecer um poste de iluminação com carapinha e bigode. Em boa verdade, a maior diferença entre ele e o poste de iluminação não é propriamente a mobilidade, é mesmo a quantidade de luz que ambos projectam. Bem, pelo menos o bigode é extremamente gracioso. Mas adiante. O homem é alto.

"E mais?"

Mais? Mais o quê? É preciso mais alguma coisa? É alto e basta. "You can't teach height".
Alves Nilo, o Vinha, está para todas as crianças que perseguem o sonho de serem jogadores da bola, como o cast de "Morangos com Açúcar" está para todos os pré-adolescentes que querem ser actores.

"Ei...pá, se aquele gajo consegue, eu também!"

Alves Nilo, o Vinha (realço para não haver confusões com os outros Alves Nilos), é portanto o Pai Natal da expectativa: preenche diariamente de esperança os corações de milhares de crianças que desejam atingir o seu sonho de acariciar a redondinha perante hordes de espectadores.
Alves Nilo é de igual forma o melhor amigo dos Pais: quando os seus filhos lhes perguntam com uma lágrima no canto do olho e uma catota no nariz o que precisam para serem jogadores de futebol, os progenitores respondem prontamente um "só tens que crescer, filho. sê alto, e alto na vida chegarás." - piscando o olho de seguida para o horizonte, enquando balbuciam entredentes um "Obrigado, Vinha!!"...

E algures na Exponor, o ex-Salgueiros e ex-Porto sorri. Uma vez mais. Pelas crianças.

segunda-feira, maio 21, 2007

Habemus Bi-Campeonum!




O Futebol Clube do Porto derrotou copiosamente a armada do maquiavélico Professor Neca e sagrou-se pela segunda vez consecutiva Campeão Nacional.




O "Cromos da Bola, SAD" vem por este meio endereçar os parabéns aos Dragões por mais um título conquistado com toda a justeza e inteligência.

Inteligência? Pois claro. Com toda a certeza que o nome "Lucas Mareque" vos sugere a singela palavrinha "bluff". Afinal, o homem fez dois jogos e tal, com prestações medíocres que coincidiram com exibições menos conseguidas dos Bi-Campeões.

Mas não. E é aqui que entra a tal questão da inteligência, que o caro leitor já julgara perdida no meio da minha pretensiosa e pouco objectiva verborreia.

Cirandava eu pela World Wide Web, quando me deparo com esta assustadora fronha, que prontamente identifiquei como Lucas Mareque, personagem saída do clássico Nosferatu, mas a cores, com uma mosquinha à corredor da Nascar e camisolinha de futebol vestida. Porém, o insuspeito site www.uefa.com identifica-o como sendo o italiano Lucas Buccolini, não o argentino Lucas Mareque.

E agora sim, chego à parte da inteligência. Hossana nas alturas. Concluo portanto, que o F.C. Porto pensou que a única forma de contrariar a distorcida mente do maquiavélico Agente Neca seria contratar um agente duplo com capacidade para destrinçar os seus esquemas maléficos, e consequentemente, derrotá-lo. Nunca pensaram é que Monsieur Michel Platini e os seus comandados descobrissem a sua identidade e tão prontamente a divulgassem. E agora?...a bola já não está do teu lado, Lucas Mareque. Ou será Buccolini?...

Post Scriptum Cromatium: Nova Anderson POLLga já em exibição. Confio no Povo da Bola - cujo conhecimento bolístico é mais abrangente do que a testa de Gaston Taument - para eleger o Cromo maior da Época finda. Podeis escolher DUAS OPÇÕES. Somos tão justos e benevolentes...

domingo, maio 20, 2007

Alan Osório, Pontus Farnerud, Moretto - alea jacta cromus est.

Pela primeira vez em muitos anos teremos o privilégio de ver a Liga decidida na última jornada, com qualquer um dos três grandes (Porto, Sporting e Brag..Benfica) a ter hipóteses de conquistar o tão almejado título.

Pelas 19,15 do dia 20 de Maio de 2007, o País irá parar. Televisões e telefonias serão o pão deste faminto povo luso, ávido de encher a protuberante pança com golos, expulsões, simulações, remates ao poste e cuspidelas para o relvado.

Como já estamos Semedos (ou carecas, pronto...) de saber, o clube Portuense é o grande favorito para a revalidação de um título que já é seu. Seu e do ex-Metalurg Donetsk. Porém, os Dragões terão que superar uma equipa arquitectada por aquela que é a mente mais maquiavélica e retorcida do desporto ibérico: Professor Neca. Nunca foi uma tarefa simples para ninguém. Nunca será. Porém, os azuis-e-brancos contam com uma arma fundamental para superar o futuro treinador do Chelsea e o seu bigodinho sensual: Alan Osório Costa Silva. O velocíssimo extremo brasileiro foi o abono de família da depauperada prol Portista, enquanto Jesualdo Ferreira fazia a sua melhor imitação de Alberto Pazos para as últimas jornadas do Campeonato. Detentor de um drible em progressão estonteante, uma técnica escabrosamente aveludada e uma insuspeita qualidade cruzamental a todos os títulos folhesca, Alan liderou com mão de ferro a armada nortenha até à derradeira jornada decisiva, onde se espera que o próprio venha a carimbar o bilhete para a Títulolândia com um cabeceamento decisivo na baliza de Nuno Espíritus Sanctus. Aliás, como é seu timbre.

Trezentos e coisa e tal quilómetros a Sul, o Esquadrão 5 Minutos espera por uma proeza de Deus Neca. Um dos poucos clubes do Mundo a ter um treinador com risca ao meio e um guarda-redes com voz fininha em simultâneo, é também elegível para o Guiness pela forma como decide os jogos antes de se atingir a marca dos 10 minutos de jogo. "Mas como, raios?Como!?!?", perguntais vós? A resposta é Pontus. Pontus Farnerud. Podeis argumentar que o homem mal joga. Podeis argumentar que o homem joga mal. Eu perdôo-vos a heresia. Eu perdôo-vos a desatenção. Passo a explicar: Paulo Bento, num laivo de genialidade apenas paralelo a Senhores como Giuseppe Materazzi, decidiu potenciar os múltiplos talentos do centro-campista nórdico da melhor forma. Pontus joga os primeiros 10 minutos de cada desafio, empurrando o clube Lisboeta para a frente, defendendo como Balajic, controlando o meio campo como Didier Lang, e atacando como Ouattara. Uma força da Natureza, o sportinguista decide o jogo por si só. Aos 10 minutos, quando o placard pomposamente anuncia o costumeiro 2-0, Paulo Bento retira o Oceano Branco, poupando-o para posteriores desafios.
Sportinguistas, se aos 10 minutos ainda não estiverem em vantagem, já sabem a quem pedir satisfações.

Como outsider, temos outro clube de Lisboa. Desta feita, não só esperando por um milagre de Deus Neca, como também por um milagre de Jesus. Ah sim, e vencer o próprio desafio. Após mais uma época atribulada, sempre longe dos comandados de Alan Osório, os Moretto Boys chegam a esta altura à discussão do título como uma adolescente borbulhenta que não foi convidada para a festa, mas aparece na mesma, na esperança de sacar um gajo que tenha um Fiat Uno e ouça Bob Sinclair a 100db no autorádio deste. E tal como a adolescente, esperam por todos os Santinhos (com tiques de gravata ou não) que não lhes fechem a porta na cara. Para vencer o desafio frente à equipa de Coimbra órfã de Pitbull e Ezequias (este, desde o início da época), a equipa do Sul conta com uma parede de tijolo montada em frente da sua baliza. E não falamos de um regresso de Tahar, o Khalej. É Moretto o homem do momento. Detentor de reflexos puramente zachthorntonianos, este carismático líder da grande área tem também uma monumental pança - como a foto acima atesta - que já levou a especulações sobre o paradeiro da águia (ou milhafre) Vitória.

Alan Osório, Pontus Farnerud, Moretto - alea jacta cromus est.

domingo, abril 08, 2007

Youssef, o Champô

Não deixa de ser irónico que um indivíduo com um penteado tão fraquinho tenha um nome que nos faz automaticamente lembrar a palavra "champô". Porém, guaxinim morto pendurado na cabeça à parte, Youssef construiu uma carreira invejável com base naquilo o que poderia eventualmente fazer. O que não é para todos.

Youssef, o Champô, entrou em Portugal pela porta grande, tendo sido a atracção principal de mais um triunfal arranque de temporada no covil do Dragão.
Corria o ano de 1996, e o Bi-Campeão F.C. Porto tinha por missão vencer o primeiro Tri-Campeonato da sua História. Para tal, reforçou-se com o que de melhor havia na equipa da rua do café do Sr. Veloso, imigrante português na Suazilândia: Chegaram Andrzej "o Popeye Polaco" Wozniak, o indomável Lula, Alejandro "O Homem Invisível" Díaz, Darko "Rico Suave" Buturovic, Arnold "eu marquei nos 5-0 da Luz" Wetl, António "Richard Gere da VCI" Folha, e o mortífero Romeu, ex-vedeta do Infesta.

Porém, apesar desta chuva de estrelas no palco das Antas, os indefectíveis Portistas sentiam-se inseguros. Algo faltava para atacar o Tri com a inegável certeza que só os campeões possuem. "Jardel e Quinzinho não chegam, cara****", gritavam as sempre impacientes bancadas azuis. Fumavam-se maços de SG Ventil e Português Suave. O chão cinzento cobria-se de unhas roídas e furiosamente cuspidas, qual remate traiçoeiro de Barroso. Quando, num súbito momento mágico, o túnel de acesso das Antas (órfão de George "Fair-Play" Weah e Jorge "Bicho" Costa) deixa-se envolver numa neblina misteriosa de esperança e novidade. O público exulta, as bancadas erguem-se. As crianças levantam-se e dão a mão aos adultos. Os idosos afagam o pacemaker - "Tu consegues. Só mais esta, ca****!", dizem eles.

Eis que irropem dois morenos vultos de camisola azul e branca do afamado túnel. "Mas que raio?..." é a expressão mais escutada do momento. O speaker, sempre solícito, ajuda o desamparado povo - logo a seguir a mais um anúncio ao concessionário da Volkswagen nas Antas - com o desvendar da identidade das novas vedetas do Bi-Campeão: "Kenedy e Chippooooooo!!!".
O silêncio mistura-se com dois ou três impropérios, alguns assobios, um arroto, a corneta do Sr.Azevedo e os tímidos aplausos daqueles que já tinham lido o jornal "O Jogo" dessa manhã. Era a triunfal chegada de dois futebolistas que iriam fazer História na Invicta (como ainda não tinham acabado o secundário, fizeram a cadeira de História - 12º ano - na Escola Secundária Clara de Resende, ironicamente em frente ao Bessa).

Youssef, o Champô, esforçou-se para corresponder à aura de salvador. Quer dizer, por acaso não se esforçou por aí além. Era um jogador rápido, se cometermos a imprudência de ver o conceito de velocidade à luz do relativismo. Com a bola no pé, fazia lembrar Siza Vieira, tal a exactidão colocada no traço do seu passe longo. Sempre (in) activo, mestre da basculação tecnocrata dominante no prisma táctico do futebol feito arte, Youssef Chippo foi o precursor do moderno box-to-box, com a sua impressionante interpretação do futebolista not-box-to-not-box. É verdade que defender não era o seu ponto forte - coisa pouca, quando falamos de um trinco - mas o seu poderio ofensivo compensava esta falta de capacidade enquanto stopper centro campista. Ah, esperem...não compensava, não.

Bem, paciência. Sai um Doriva prá mesa 1.
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