
Mas que amontoado de equipamentos foleiros, penteados à teclista de banda pimba dos anos 90 e fatos-de-treino tactel vai prá'qui.
Cheira-me a centro comercial ao domingo, Europa de Leste pré-Perestroika, ou aula de educação física de uma escola primária perdida nos idos de '80. Na verdade, poderia ser qualquer uma delas, mas como se sabe, a virtude está no meio - e no Alfredo Bóia.
Com a queda do Muro de Berlim, a Europa abriu-se perante si mesma como a testa de Carlos Secretário perante um remate de Banha Torres. Mas com menos sangue, sem ligaduras na cabeça e sobretudo sem perder os sentidos.
Como consequência, a Europa Ocidental, outrora tão altiva e segura de si, viu-se invadida por uma horde de mullets, bigodinhos ralos e fatos-de-treino de tactel. Alguns países tentam ainda hoje recuperar desse ingresso de verdadeirismo, como a Alemanha, a Alemanha e também a Alemanha. Sem sucesso. Porém, quando a década de 90 era apenas um recém-nascido chato e imberbe, tudo isto era novidade.
Apostando no elemento-surpresa, um grupinho de sete moços bem-parecidos meteu-se no seu trabi, e partiu rumo a Portugal. Porquê Portugal? Porque sim.
Porque sim, e porque um deles era adepto do Paços de Ferreira e queria ver o Radi ao vivo, coisa que todo o Homem deveria fazer antes de falecer. Aliás, costuma dizer-se na ex-Europa da Leste que ter um filho, plantar uma árvore, ver jogar o Radi, e escrever um livro são os quatro objectivos a atingir antes de conhecer o ceifador (não estamos a falar do Cao). O Octávio Machado já pode ir de vela em paz.
O primeiro busílis que se lhes deparou, foi que não havia forma de enfiar sete gajos e a barba do Djoincevic num trabi. Vai daí, e sugeriram que o futuro central salgueirista rapasse a selva pilosa com um corta-relva industrial.
Má ideia.
O nosso Carlos Paião hardcore de Belgrado não gostou da sugestão e apagou-lhe a vida à catanada. Os restantes cinco enfiaram-se prontamente no trabi e lá foram todos contentes em direcção à Terra Prometida do Ocidente. Posso garantir-vos que mais ninguém se voltou a meter com o Djoincevic na viagem. Aliás, foi ele quem decidiu que K7's se enfiavam no auto-rádio e quantas vezes se ouviam cada uma. E o facto de se ter ouvido a mesma K7 do Clemente por vinte e três ocasiões consecutivas demonstra muito do respeitinho que os companheiros tinham pelo dito cujo.
Chegados a Portugal, os compinchas decidiram espalhar as boas novas da Perestroika por diferentes localidades.
Dragan queria sol, praia, e edifícios de 32 andares à beira-mar.
Ljubinko queria aprender a ler em português, e sugeriram-lhe Gil Vicente.
Pestalic só queria beber café - tinha soninho.
Barnjak foi confundido com um gajo de uma banda porreira e recrutado para tocar baixo com os "Mexilhão Cheiroso", conjunto romântico do Minho. Nas horas livres jogava à bola.
Djoincevic disse que ninguém tinha nada a ver com a sua vida, e quem perguntasse mais alguma coisa seria convidado para um duelo até à morte com a sua arma de eleição: um tubinho de totocola.
O Miodrag armou-se em esperto e interpelou-o. Djoincevic prontamente sacou da totocola algures da sua barba. Miodrag fugiu, mudou o nome para Emil Kostadinov, e trocou o seu brilhante e sedoso fato-de-treino tactel por um apartamento nas Antas. Era um fato-de-treino fixe, o fecho éclair corria bem, e aquelas pequenas marcas de tecido queimado derivadas de quedas no chão do ginásio eram menos visíveis do que noutros da mesma estirpe. E era forrada a um tecido turco, branquinho.
Boa viagem, Djoincevic. Que nunca mais te perguntem para onde vais, insigne Camões de dois olhos perfeitamente funcionais.
Vais partir, naquela estrada, onde um dia chegaste a sorrir...
P.S.: Bem Haja ao Blog do Portimonense pelos cromos gentilmente cedidos, na pessoa de Pedro Simões, homónimo do nosso companheiro bloguístico e de um médio mítico da Amadora, que rematava como se estivesse em Pearl Harbor a abater caças japoneses.
















